Tem uma matéria especial sobre Marilyn Manson na MTV e resolvi copiar a biografia e postá-la aqui:
Sempre que se lembra da figura de Marilyn Manson, seja em seus clipes desfocados e sombrios, suas fotos perturbadoras ou suas músicas distorcidas - no sentido mais literal da palavra -, nosso senso comum toma um susto, cheio de medo e repulsa. Ao lado das sensações previsíveis, vem a curiosidade sobre o que leva um cidadão a maquiar-se como um fantasma, trocar a cor dos olhos, vestir roupas talvez elegantes mas certamente desconfortáveis e sodomizar-se em frente a milhares de pessoas todas as noites. Infância traumatizada? Proposta artística? Perversão do demônio? Oportunismo puro e simples?
Inteligente que é, Marilyn Manson (ou Brian Hugh Warner, como nasceu em 5 de janeiro de 1969) nunca deu uma só resposta à questão. Por mais que a boataria jure que ele passou a infância interpretando o nerd Paul Pfeiffer do seriado “Anos Incríveis”, sua autobiografia, “Long Hard Road Out of Hell”, aponta para anos menos felizes: ele teria vivido num complexo governamental que estudava filhos de soldados submetidos à arma química Agente Laranja (seu pai serviu no Vietnã). Ele seria o único de seus amiguinhos que não era paraplégico ou deficiente físico. Mas, como Manson nunca negou a mentirosa lenda que teria tirado uma costela para fazer sexo oral em si próprio, nem sempre é bom confiar no que ele diz.
Aos 18 anos, Brian/Marilyn mudou-se de Canton, Ohio para Tampa Bay, na Flórida, e começou a trabalhar como jornalista musical meio período, além de publicar contos e poemas. Foi lá que ele conheceu o guitarrista Scott Mitchell, com quem decidiu montar uma banda dedicada a “explorar os limites da censura”.
“Marilyn Manson e os Garotos Assombrados” (Marilyn Manson and the Spooky Kids) começaram a chamar atenção no sul da Flórida devido aos seus shows catárticos e a performance de seu vocalista maquiado. Todos os membros adotaram um nome de mulher famosa e um sobrenome de serial killer - além de Marilyn Manson (mistura de Marilyn Monroe com Charles Manson), figuravam Daisy Berkowitz, Gidget Gein, Madonna Wayne Gacy e Sara Lee Lucas. Em 1993 o líder dos Nine Inch Nails, Trent Reznor, ofereceu-lhes o contrato para ser a primeira banda de seu novo selo, o Nothing Records, além de abrir os shows do NIN na turnê seguinte. No meio do ano seguinte saiu “Portrait of na American Family”, já com o novo baixista Twiggy Ramirez, e os clipes de “Lunch Box” e “Get Your Gunn” foram o cartão de visitas para a geração MTV. As apresentações foram ficando cada vez mais controversas, com direito a Livro dos Mórmons rasgado no palco e título de “reverendo” concedido a Manson por Anton LaVey, fundador da Igreja de Satã.
Mas o mainstream só viria em 95, quando o EP “Smells Like Children” trouxe ao mundo a cover sombria que a banda fez para a já sombria “Sweet Dreams”, do Eurythmics. Pouco tempo depois Berkowitz daria lugar para Zim Zum nas guitarras, e estaria consolidada a formação mais famosa do Marilyn Manson - assim considerada por ter feito em 1996 o álbum mais famoso da carreira, “Antichrist Superstar”. Junto com a popularidade vieram os primeiros protestos de pais e grupos religiosos contra os shows, o que obviamente só contribuiu para o sucesso da turnê. A mídia e o mundo “direito” tinham ganhado um novo vilão, e os jovens, um novo ícone subversivo.
Em 1998 chega às lojas “Mechanical Animals”, com sua perturbadora capa de Manson com seios. Zim Zum dá lugar a Johnny 5 (ser da banda de Marilyn Manson não é um cargo duradouro) e a parada britânica de discos é conquistada pela primeira vez. Quando tudo parecia conspirar em favor do anticristo superstar, os garotos Dylan Klebold and Eric Harris, que se diziam seus fãs, assassinam 15 colegas a tiros no Colégio Columbine, em abril de 1999. A reação conservadora foi mais forte do que nunca, com direito a seguidas ameaças de morte, e Marilyn Manson foi forçado a interromper a turnê (ele comentaria a experiência anos depois, no documentário “Tiros em Columbine” de Michael Moore). Os fãs, porém, foram presenteados com o disco ao vivo “Last Tour on Earth”.
“Holy Wood (In the Shadow of the Valley of Death)” sai no fim de 2000, lidando em diversas faixas com a experiência de Columbine. Mas os tempos não melhoram muito: em julho de 2001 um segurança processa Manson por supostamente tê-lo humilhado num show em Michigan. Outra cover dos anos 80 faz sucesso no fim do ano, “Tanted Love” (originalmente do Soft Cell), ao mesmo tempo em que outro segurança entra com um processo por causas semelhantes. Ambas as acusações foram abandonadas no ano seguinte.
Mas o mundo pós-11 de setembro já era outro. A direita católica americana já tinha outras figuras bizarras para odiar, e Marilyn manteve-se fazendo trilhas de filmes (e terminando seu noivado com a atriz Rose McGowan, do seriado “Charmed”) até 2003, quando sai seu último álbum de carreira, “The Golden Age of Grotesque”. Os temas religiosos e o gosto pelo estranho permanecem, mas o visual é repaginado para os anos 40, de ternos mafiosos bem cortados, espartilhos e cinta-ligas. Uma semana no topo das paradas e reconhecimento da crítica se seguem.
Este ano foi de mudanças críticas para Brian “Marilyn Manson” Warner. Numa eleição que mobilizou artistas como nunca, aquele que mais parecia ser o antagonista da direita republicana preferiu não manifestar partido, insatisfeito que está com o sistema bipartidário americano. A fim de exorcizar seus demônios, Manson convidou a diretora Asia Argento e bancou do próprio bolso a filmagem do clipe de “(s)Aint”, uma seqüência impublicável e realista de orgias hetero e homossexuais, consumo de drogas e auto-mutilação - com o cantor de protagonista em todas as cenas. Depois disso, ele freqüentou reuniões de alcoólicos anônimos e até psiquiatria (!!), e diz que pretende se casar com sua atual namorada, a modelo Dita Von Teese, em breve na Europa.
Mas não esqueçamos que ele ainda mantém em casa, num pote em formol, o feto abortado da primeira gravidez de sua futura esposa, e o chama de Ludwig. Chamem-no de propagandista, chamem-no de “shock-rocker”: Marilyn Manson ainda é o nosso rei da escuridão.
Faixas do "Lest We Forget" (CD)
1. The Love Song
2. Personal Jesus
3. mOBSCENE
4. The Fight Song
5. Tainted Love
6.Dope Show
7. This Is The New Shit
8. Disposable Teens
9. Sweet Dreams (Are Made Of This)
10. Lunchbox
11. Tourniquet
12. Rock Is Dead
13. Get Your Gunn
14. The Nobodies
15. Long Hard Road Out Of Hell
16. The Beautiful People
17. Reflecting God
18 (s)AINT (bonus track)
Clipes do "Lest We Forget" (DVD)
Lunchbox
Dope Hat
Get Your Gunn
The Beautiful People
Tourniquet
Man That You Fear
Cryptorchid
The Dope Show
I Don't Like The Drugs (But The Drugs Like Me)
Rock Is Dead
Coma White
The Fight Song
Disposable Teens
Disposable Teens (versão para evitar censura)
The Nobodies
mOBSCENE
This Is The New Shit
(s)AINT
Sweet Dreams (Are Made Of This)
Long Hard Road Out Of Hell
Personal Jesus
Autopsy
Making of de mOBSCENE
Extraído da MTV Brasil website